A IMPORTÂNCIA DA RESPIRAÇÃO DIAFRAGMÁTICA

Existe um provérbio oriental que diz: “Quem respira o bem ama o bem e quem respira o mal, ama o mal.” Sendo ou não correto, é certo que a respiração é vida em ação. E a forma como respiramos traduz se vamos ter uma longa vida ou uma vida parecida com um calvário.

Sabia que um bebé nos primeiros anos de vida respira pelo abdómen? É verdade! Espontaneamente e de forma inata, ele pratica um método ensinado pelas grandes tradições espirituais como a ioga, ou a meditação transcendental, por exemplo. Assim, penso que não surpreende ninguém que esse modo de respirar seja a condição para entrar em estado de meditação e outros estados de paz e tranquilidade. Esta é uma das explicações por que o relaxamento e a respiração sejam instrumentos fundamentais na indução hipnótica, na meditação, no Mindfulness e outras práticas saudáveis de promoção de saúde. Está demonstrado que em condições normais de vida, respiramos cerca de 23.000 vezes por dia. Aproximadamente 10 milhões de vezes por ano e mais de 700 milhões de vezes ao longo de toda a nossa vida. Ou seja, respiramos de 12 a 20 vezes por minuto. Por isso tome nota, se está parado e respira menos de 12 vezes ou mais de 25 por minuto, isso pode ser um problema para si no futuro.


A respiração é vida e a vida é uma série de respirações

É fácil perceber que quem controla eficientemente a função respiratória pode ser esta a chave para o equilíbrio interior e torna-se um hábito positivo que ajuda a prolongar a vida. Hoje, por incrível que pareça, existem psicoterapeutas, empresas como a Google e a IBM, os próprios médicos e hospitais encorajam os colaboradores a praticar técnicas de respiração baseados e inspirados pelas filosofias orientais. Um exemplo é a recomendação da prática de Mindfulness para aumentar o rendimento cognitivo, a memória e a paz interior. E eles têm razão, mais vale tarde que nunca, reconhecer a sabedoria do empirismo oriental e aplicação do método científico que comprova os benefícios desta salutar prática e que decorre dessa observação minuciosa de cada estado do ser há milhares de anos.


A função do Sistema Nervoso Autónomo:

sistema nervoso simpático e o sistema nervoso parasimpático

A fisiologia moderna descreve dois sistemas nervosos autónomos. O termo autónomo deriva do facto de estes sistemas funcionarem por conta própria e, a princípio, são ativados biologicamente diante de uma ameaça real ou imaginária. Nomeadamente estes sistemas estão intimamente ligados à amígdala e envolvidos nos mecanismos de luta e fuga. Pense neste mecanismo quem uma válvula de pressão automática: se o meio externo está frio, automaticamente o seu corpo toma previdências que conscientemente não é, ao contrário também acontece com a dilatação dos poros da pele e o surgimento de gotas de suor, para arrefecer o corpo. Outra situação comum, se estou triste emociono-me e mesmo que não queira as lágrimas irrompem pelos olhos escorrendo pela nossa face. Isto é, são mecanismos realmente autônomos, não precisam de controlo consciente para se manifestarem.


A neurofisiologia explica porque as técnicas de relaxamento são eficazes

Segundo Petho Sandor, conhecido especialista em neurofisiologia, no seu interessante livro “Técnicas de Relaxamento, enfatiza que o sistema nervoso simpático tem como principal função a atenção do organismo voltada para o externo. Ele responde ao meio ambiente, às supostas ameaças reais ou imaginárias, e coloca o corpo em estado de alerta, apenas pela intuição de uma ameaça. Se pensarmos que este poderoso mecanismo é responsável pela estimulação da produção de adrenalina, do cortisol - a hormona do stresse -, pela aceleração do ritmo cardíaco, elevação da pressão arterial e muscular, é ele que dá instruções para o incremente da sudorese, do tremor no corpo e outros, então fica fácil compreender a importância de saber pelo menos influenciar. Agora, o sistema nervoso parassimpático orienta a atenção do organismo para dentro e, ao contrário do SNS, é este mecanismo que aciona os processos de restauração de energia do nosso organismo. É ele que faz surgir na fenda sináptica a importante hormona conhecida como acetilcolina - neurotransmissor envolvido com a sociabilidade e incrementa e fortalece os laços entre nós-, é o sistema parassimpático que abranda os batimentos cardíacos, diminui a pressão arterial, é responsável pelo relaxamento dos músculos, levando a pessoa rapidamente um estado de calma e tranquilidade, promovendo o equilíbrio, a homeostase do organismo. Segundo ele, no mecanismo respiratório, o músculo que separa o tórax do abdómen desempenha um papel muito relevante. O diafragma funciona como uma membrana. Quando desce, intumescendo abdómen, arrasta consigo a base do pulmão, aumentando o volume interno deste, o que produz a sucção do ar. Isto é a inspiração. Na expiração dá-se exatamente o contrário; o diafragma levanta-se, comprime os pulmões, expulsando o ar (Sandor, 1982).


A Importância de trabalhar o Diafragma com a respiração

Ora, com a vida agitada e ou sedentária este mecanismo tão sadio e natural, vai desaparecendo, até quase definhar na maioria das pessoas adultas. É como se o nosso diafragma morresse aos po